::: DIÁRIO DE CARATINGA :::

Switch to desktop Register Login

Garoto dorme em mala na Praça Cesário Alvim

Conselho Tutelar afirma que continuará acompanhando o caso

 

Um fato vem chamando a atenção de quem passa pela Praça Cesário Alvim. Um garoto, aparentando 12 anos de idade, dorme em uma mala próximo à uma barraca da Feira da Ação Social (Feiraso). Sujo, usando uma blusa de lã, calça de malha e descalço, o menino está em estado preocupante, atraindo até mesmo mosquitos.

Segundo relatos de pessoas que utilizam o espaço para realizar a tradicional Feiraso, o rapaz recebe comida de pessoas que passam e se sensibilizam; após fazer a refeição dorme o dia inteiro e quando chega o fim da tarde, sai do local. Uma pessoa que não quis se identificar, conta que a situação é preocupante. “Que eu vi, tem pelo menos uma semana que esse garoto está aqui, com a mesma roupa. Eu perguntei pra ele se ele toma banho, ele disse que não e que também não quer ir pra casa”.

Ela afirma que uma senhora que passou pelo local disse que flagrou a mãe deste rapaz o agredindo com uma lasca de lenha. “Isto faz a gente pensar que esta fuga dele é um caso de maus tratos, ninguém sai do seu lar se não tiver algum problema, e só de falar em família com ele, a sua expressão já muda”, conta.

O DIÁRIO procurou o Conselho Tutelar, e o conselheiro Francisco de Oliveira Gomes afirmou que acompanha de perto este caso. “A realidade deste menino é uma vida complexa, pais separados e situação financeira ruim”, conta.

Segundo Francisco, primeiro o garoto ficava em um galpão ao lado do Corpo de Bombeiros Voluntários de Caratinga. “Fizemos um trabalho com a equipe, encontramos a mãe deste menino e esclarecemos a ela toda a situação, explicamos os riscos que essa criança corria. A mãe disse que ele não queria ficar lá, mas ela se responsabilizou e assinou um termo com a gente e ele voltou pra casa”.

Pouco tempo depois, novamente o rapaz estava nas ruas e o Conselho Tutelar resolveu levá-lo para a Associação dos Menores Assistidos de Caratinga (Amac), mas ele afirmou que não estava gostando do local e gostaria de ir morar com o seu pai, em São Simão do Rio Preto. “Levamos ele para lá, porque ele afirmou que não queria ficar com sua mãe, então passei o caso para o Conselho de Simonésia, mas na semana seguinte ele voltou para as ruas de novo”.

 

PROVIDÊNCIAS

Francisco afirma que dentro do possível foi feito o trabalho pelo rapaz, dando todo o apoio necessário, mas cabe à pessoa primeiramente querer ser ajudada e à família se comprometer com a mudança. “Quando acontece um fato desta natureza, os primeiros responsáveis são os pais. Nós acionamos, notificamos a família para fique ciente do caso”.

Após todos os esforços, na tentativa de ajudar este garoto, outras providências precisaram ser tomadas. “Fiz um relatório e levei o caso à promotoria, para que medidas cabíveis fossem tomadas. Nós ofertamos a ele um psicólogo e assistente social à família, mas infelizmente não conseguimos resgatar este menino”, conta.

Agora, Francisco afirma que o Conselho Tutelar vai reiniciar o trabalho, oferecer novamente ajuda à família e buscar soluções para mudar esta realidade. “Vamos trabalhar no sentido de matriculá-lo em uma escola, criar vínculos dele com a família e conscientizar esta mãe de que ela será penalizada caso esta situação continue”, finaliza.

 

Portal Diário. Todos os direitos reservados.

Top Desktop version